Transferir dados, de qualquer espécie e tamanho, sempre foi um problema para quem envia e para quem recebe informações. A maior parte das transferências de arquivos grandes acontece através do meio físico, utilizando conexão Ethernet ou mídias removíveis como pen drives ou HDs externos. Isso ocorre porque esse meio de transferência permite o envio e recebimento a taxas de 1 Gbps, utilizando Giga-Ethernet, e de até 10 Gbps utilizando outras conexões, como USB-C.

Essas taxas elevadas de transferência permitem enviar e receber grandes volumes de informações em um curto espaço de tempo. No entanto, o cenário é um pouco diferente para transferências utilizando meios sem fio. Métodos como o Bluetooth chegam a taxas de 50 Mbps, a NFC alcança 0,5 Mbps e, o mais veloz deles, o Wi-Fi 802.11ac pode chegar a até 1,3 Gbps.

Para você ter uma ideia do que estas taxas de transferência significam na prática, para assistir a um episódio de uma série de TV com 21 minutos de duração você consome 1,1 GB de dados e uma partida de 30 minutos do game Dota 2 com um download de atualização em segundo plano consome nada menos que 12 GB de dados segundo uma matéria do site Adrenaline.

Mas mesmo o Wi-Fi possuindo uma taxa de transferência maior que padrões Ethernet, ele ainda é muito inferior às taxas praticadas pelo USB 3 (transferência de até 4,8 Gb/s) e USB-C (transferência de até 10 Gb/s). Isso faz com que a transferência de grandes volumes de informação entre dispositivos seja demorada ou até mesmo impraticável.

Atenta a esse problema para a transferência de dados em grande escala, e levando em consideração o alto crescimento do uso de dispositivos móveis, especialmente de smartphones, a empresa Keyssa desenvolveu a tecnologia Kiss (beijo, em português).

Conheça a proposta da nova tecnologia para transferência de dados

A tecnologia Kiss permite, através de um simples contato entre os dispositivos móveis, (assim como é feito atualmente com o NFC) transferir informações entre dois smartphones a taxas próximas a 6 Gbps. Esse nível de transferência de dados é mais elevado que as atuais conexões sem fio, e até maior que a de meios físicos como o USB 3.0.

Essa nova tecnologia para transferência de dados permitirá o compartilhamento de conteúdos com tamanhos bem acima da média atual usada para download, como vídeos em Full-HD ou mesmo em 4K, para outros dispositivos em poucos segundos. Segundo a própria Keyssa, será possível não apenas transferir dados com esta tecnologia, mas também conectar periféricos a um dispositivo de forma prática e com uma velocidade muito superior à das outras tecnologias atuais apenas mantendo dois dispositivos a poucos centímetros de distância um do outro.

A tecnologia permitirá ainda a redução da espessura dos notebooks, já que poderão ser removidas portas USB, Ethernet e até mesmo conexões de vídeo como VGA e HDMI. Esse é o futuro que a empresa Keyssa, que participou ativamente do desenvolvimento do padrão HDMI, deseja para a tecnologia Kiss.

E para que essa tecnologia seja ainda mais abrangente e difundida, empresas como Samsung, Intel e Foxconn estão investindo para que ela se torne padrão também em smartphones e tablets. A aliança entre esses gigantes permitirá aos dispositivos móveis uma maior independência de meios físicos para transferência de dados, melhorando a experiência dos usuários nesses dispositivos.

Contudo, alguns pontos devem ser levados em consideração quando são utilizadas tecnologias de transferência de dados, e um dos mais importantes, certamente, é o controle das informações. A capacidade de transferir um grande volume de informações de forma praticamente instantânea pode permitir que dados desconhecidos e até mal intencionados sejam transmitidos sem serem notados. Por isso, a tecnologia necessita ainda de uma melhor gestão de acesso e controle do tráfego de dados.

Por outro lado, esta tecnologia “beijo”, quando difundida no mercado e aplicada em todos os dispositivos, inclusive os móveis, reduzirá ainda mais o retorno dos funcionários para a sede ou base de operação da empresa já que tornará mais simples o compartilhamento de dados.

cta blog 2 - A nova fronteira da transferência de dados: a tecnologia "beijo"

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